Following the Portuguese Representation at the 54th Exhibition
La Biennale di Venezia
Exposição: Scenario
Artista: Francisco Tropa
Curador: Sérgio Mah
Inauguração: 1_Junho_2011
Fondaco Marcello, Calle del Traghetto o Ca' Garzoni, San Marco 3415 Venezia
Francisco Tropa é o representante de Portugal na 54ª Exposição Internacional de Arte - La Biennale di Venezia. O artista, cuja obra ocupará o Pavilhão de Portugal na próxima Bienal de Veneza, foi seleccionado por Sérgio Mah, nomeado curador desta representação oficial sob proposta da Direcção-Geral das Artes do Ministério da Cultura de Portugal, instituição responsável pela organização e produção da participação nacional.
Desde 1997 a Direcção-Geral das Artes tem assegurado regularmente as representações nacionais na Bienal de Veneza, numa linha de participação de elevada qualidade que tem vindo a traduzir-se em resultados excelentes junto do público e da crítica especializada, tanto a nível nacional como internacional. Em 1997 Portugal foi representado pelo artista plástico Julião Sarmento, seguindo-se as participações de Jorge Molder em 1999, João Penalva em 2001, Pedro Cabrita Reis em 2003, Helena Almeida em 2005, Ângela Ferreira em 2007 e Pedro Paiva e João Maria Gusmão em 2009.
Este ano, a exposição portuguesa realizar-se-á no Fondaco Marcello, um espaço expositivo situado num edifício histórico de Veneza construído no séc. XVI/XVII e originalmente concebido como armazém ("Fondaco"), de excelente visibilidade, localizado na margem do Grande Canal, muito próximo do Palácio Grassi e entre as pontes da Academia e Rialto, frente à estação de vaporetto de San Tomà.
A exposição inaugura no dia 1 de Junho, pelas 18h00, no Fondaco Marcello - Calle del Traghetto o Ca' Garzoni - e estará patente até 27 de Novembro.
Scenario
por Sérgio Mah
Curador
Scenario é uma exposição que articula escultura, dispositivos de imagem e fragmentos da natureza. O ambiente geral é enigmático e intemporal, no qual os objectos e as imagens cumprem uma função heurística, a procura de uma percepção sensível e subjectiva sobre a natureza das coisas, e, consequentemente, sobre a experiência da criação e as origens do fazer artístico.
Desde o início dos anos 90 que o trabalho de Francisco Tropa tem privilegiado a prática da escultura, frequentemente em articulação com as artes performativas, o desenho e as imagens técnicas. Igualmente relevante no seu trabalho é a atenção dada à montagem e à ocupação do espaço expositivo, ao lugar das coisas, da sua natureza e das suas relações, para que possam ser observadas e experienciadas. Estas são inclinações mais uma vez presentes na instalação intitulada de Scenario que o artista concebeu expressamente para o Fondaco Marcello. No interior deste antigo armazém situado junto ao Grande Canal, encontram-se diversos tipos de elementos: vários dispositivos de projecção, concebidos como pequenas esculturas que seguem os princípios de funcionamento das lanternas mágicas, projectam imagens sobre ecrãs feitos de estuque sobre muros de madeira. As imagens têm a sua origem em objectos visíveis na base de cada projector: uma ampulheta, o filamento incandescente de uma lâmpada, uma mosca morta, uma folha seca, e várias situações em que gotas de água caem através de um fio, de um pequeno prato de vidro ou de uma garrafa minúscula.
São imagens simultaneamente estranhas e encantatórias, que reconfiguram e deslocam a percepção para um plano de oscilações entre figuração e abstracção, entre fixidez e movimento, entre cópia e original.
Além das imagens, junto a alguns dos muros-ecrã foram colocados vários objectos: tábuas e caixas de madeira, cavaletes e troncos de árvores. Como componentes de uma cena escultórica, estes objectos integram o perímetro experiencial que se forma dos projectores até aos muros, afirmando a sua presença física e metafórica, bem como a sua sombra sobre o plano da imagem projectada.
O ambiente geral é misterioso e enigmático, um lugar intemporal no qual os objectos e as imagens, para além do seu valor específico, cumprem uma função heurística, a procura de uma outra compreensão da natureza das coisas, isto é, de um (não) saber que privilegia o sensível e o subjectivo. Neste sentido, o título de Scenario remete para a construção de um espaço, para a indicação de um espaço em suspenso, que sugere uma imensa possibilidade: de vincular a nossa atenção, de suscitar a experiência da criação, de potenciar a urgência da imaginação, como forma de aceder à verdade da natureza e, consequentemente, às origens da arte.
Sérgio Mah
Curador
Durante a semana seguem updates!
ResponderEliminar